• marluce lima

Um beija-flor em Dublin

|biografia - publicada no E-Dublin

“Às vezes tenho sintomas de realidade. Faço dos sonhos campo de treinamento e me pergunto: — Por que acordo com areia no olhos? Vai ver é a corrida contra o tempo.”

Perguntaram a ela na rua se é atriz. Talvez, ela tivesse algumas aparições pelo palco ou talvez seja essa verossimilhança: ela acaba confundindo-se com alguém, porque passa no mundo e não passa despercebida. Ela é alguém que fica. Uma presença largamente marcante, um olhar que penetra.

Ela diz autenticamente o que lhe vem à cabeça como se fosse uma espécie de médium ou, até, uma bruxa.

Pode ser isso! Pode ser que ela tenha uma espécie de poder mágico, de alguém que brinca com o fogo com precisão, de alguém que lê mentes e tira da manga uma interpretação certeira. Adriana parece ler aquela meia linha de uma história e, com isso, já se basta para preencher as lacunas. Aquela meia linha que muda o rumo de uma história. Uma meia linha que serve como alerta e também como uma forma de continuar acreditando que tudo é possível de acontecer.

Essa meia linha é sempre um risco, ela sabe. Mas um risco que, de certa forma, sempre vale a pena tomar, de preferência junto a uma pint, uma taça de vinho ou, até mesmo, comendo uma maçã.

No mínimo, sai uma história. No máximo, saem várias. E viver alguma história com ela é sempre interessante. Em meio aos pequenos e raros breaks de algum dos três ou quatro trabalhos, nesse vai e vem pelas ruas de Dublin, no intervalo da faculdade ou voando pelo mundo como um pássaro. Haverá sempre uma história para contar, e sem dúvida ela te contaria.

Ela conta. Ela diz. Ela precisa falar.

Com a voz tão penetrante quanto os olhos. Com as ondas avassaladoras dos cabelos, ora negras, ora vermelhas. Ousa falar também o jeito que anda, a distração por vezes proposital e outras vezes natural como um beija-flor com hora marcada para bater as asas.

Tudo nela fala alguma coisa. Às vezes grita. Às vezes canta.

E eu não duvido que o canto dela nos leve a destinos curiosos.

“Estou no cheiro do seu cabelo no teu lençol na xícara de café e escova de dente I am all over you e nas coisas Pareço só lembrança Pois no teu diálogo e futuro não estou Estou só — em mim mesma e isso tem que bastar”
  • Branca Ícone do Flickr
  • Ícone do Facebook Branco
  • Ícone do Twitter Branco
  • Ícone do Instagram Branco
  • Ícone do Youtube Branco

made with love & poetry