• marluce lima

trem lunático

Poema publicado pela Editora Urutau – “Trinta e dois quilos [uma antologia Brasil-Irlanda]” – 2017





Os olhos lacrimejam preguiça

Abrem, vagarosos, matutinos.

Não nasci ao nascer.

Sinto a gravidade das tábuas coladas nas minhas costas

contra o peso das estrelas

no teto alto.

Os sonhos são ansiosos,

Me acordam enquanto ando,

Mas acabam voltando para a cama ao fim do dia.

Meu maior desejo: acordar na constância dos planos

Instead

a inconstância do sol geminiano.

Sou peão. Sem xadrez.

Bato o ponto. Sem tolerância

de mais cinco minutos sonecando.

Faça chuva, faça chuva.

Esqueço o alongamento preparatório para a journey.

Estar adormecida não interfere, anyway.

Não irei usar a massa encefálica nas alfaces automáticas.

Elas me esperam distribuídas na pia

como uma holografia

da plantação onde vive a família.

Peguei, for graça, o trem lunático.

(passa um filme rebobinado nas telas laterais da lua)

Não quiseram pedalar minhas pernas.

Quatro pontos da ponte da harpa,

Desviando das laranjas andantes.

Algumas estações a mais, diárias.

Chego na casa temporária.

Ainda bem!

Abro a lata azul de um euro,

Bolo um bolo de tabaco em papel selado com baba

(o envelope aqui é de formato antiquado aos costumes higiênicos)

Durmo entre a tosse e este verso.

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