• marluce lima

Três de dezembro

Updated: Apr 3, 2019

de uma página do diário

 “ Três de dezembro — … e a primeira vez que comprei um vibrador numa sexta à noite foi há dois dias atrás.”

– Esse é um trecho do meu livro “Sou mar”, com previsão de lançamento em julho deste ano – 2018.

O dia que comprei meu primeiro vibrador, e ele é do tamanho de um dedo, uma intensidade, um passo além de um bloqueio, desnecessário talvez antes dos treze, e ele tem um desenho, um diabo com cara de criança malvada. Minhas tias que o digam dessa menina de uns cinco anos, qual dizia: ‘quando crescer grande vou tirar a roupa e vou amar muito’ – será que de alguma forma eu já sabia que para a arte existir eu precisaria me despir tanto?!

Hoje acordei com uma insegurança intensa. Tive dúvidas em relação a atitudes que tomei goela abaixo na noite de ontem, não tive o sono dos justos apesar de ter feito justiça com meu coração, já ouvi dizer que não se erra quando se age de acordo com os batimentos cardíacos - mas se gritamos as vozes das emoções o risco que se toma é grande.

E eu venho tomando riscos em doses homeopáticas, desde que me joguei no mundo, desde cada decisão que tomo quando acordo. E o tempo todo somos decisões e renúncias, acertos e acertos. Ir pelo caminho da arte é um caminho sem volta, já não sei fazer outra coisa, a vida de antes não me atrai e ainda assim a dúvida vem e volta.

Hoje resolvi criar esse adendo ao dia Três de Dezembro de 2017, o momento que ouso, que compro meu primeiro vibrador, e hoje quase perto dos meus trinta eu acordei arrependida de ter dito (escrito) tanta coisa mas também de não ter sido mais ousada. E porém vejo a vantagem de ter decidido ser escritora: eu posso reescrever. E confesso, as palavras são melhores comigo quanto eu sou à elas.

Nunca estive tão sem rumo e tão certa de onde estou indo.

0 views
  • Branca Ícone do Flickr
  • Ícone do Facebook Branco
  • Ícone do Twitter Branco
  • Ícone do Instagram Branco
  • Ícone do Youtube Branco

made with love & poetry