• marluce lima

A Transpoética, Paola Benevides

Updated: Sep 18, 2019

|biografia - publicado no E-Dublin.


“Eu investigo o silêncio como quem canta para uma multidão cheia de vozes irreconhecíveis, faladas ao ar inesperadamente diluídas na nossa superfície”

Se há algum efeito sobre o lírico ou o desconhecido, descobrí-lo seria como pintar um quadro em terceira dimensão definindo o abismo e invadir sua tela. Algumas pessoas acreditam na possibilidade de atravessar dimensões, quem sabe as bruxas, holistas ou gurus da contemporaneidade.

Ouvi dizer que se carregas uma poção mágica nas mãos, isso lhe faz uma bruxa. Uma bruxa que faz parte de uma seita, ou várias. Ela acredita, estuda e se atenta ao que diz os sóis e planetas, as cartas e as estrelas. Por algumas vezes ela investiga o épico, o silêncio e o místico, e por outras ela se atenta aos efeitos. Vozes, vozes, quantas vozes lhe cabem ao peito. Agarra essa multidão com sede e calma, dilui em palavras, como se uma página em branco fosse sua mais notável mágica.

Paola pode ser bruxa, mas é uma bruxa que bebe de outras águas, que vai além de signos e símbolos, uma bruxa que acredita que o primordial nos feitiços é o próprio instinto e a transmutação a partir disso.

Ela transcende coisas e linguagens em tecido poético. “Coisas” podem ser artes. Seja de forma verbal, visual ou sonora ela as materializa. Ousa corromper-se em palavras de outras línguas. Apropria-se de um texto como se pudesse integrar sensorialmente um outro corpo mediante o oitavo sentido. Desaforadamente trai a si mesma.

Atravessa linguagens como se sua boca fosse um vulcão sempre prestes a explodir. Cria uma criatura mística no contexto de uma traça, qual se reproduz dentro de livros e sonhos, e vai a perambular sob o concreto.

Tecelã de poemas, usa como matéria prima a menina que se perde na mulher que a habita. Menina, mulher e anciã germinam em sua terra, brincam com as mãos como se segurassem um contact juggling ball e essa bola mágica as conduzissem para o caminho mais sensato entre seus elementos arianos e aéreos.

Uma transpoética pertencente à Era de Aquário, pesca o sentido da vida pelo ar, transita pelo vento e aceita, que às vezes a verdade absoluta reinará trajada de mistério.


Quero-me assim, cada vez mais cercada de flores. E não importa a ordem do tempo, que venta para cada vez mais longe essa ilusória linearidade. Ora quer-se fim, ora início novo. Tudo é finitude enquanto a idade fragiliza. Tudo é coragem quando se renasce de outras fontes. Se ontem fui semente, amanhã serei orquídea. Se hoje planto árvore, o porvir se regenerará noutra paisagem viva. Nem me põe calada o corpo morto um dia, certa de que mais uma carne pulsante assumirá este lugar de fala em poesia.”





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