• marluce lima

toc toc toc

Algumas que tocaram apenas a superfície daquela pele, outras vidas que ultrapassaram a derme, outras que penetraram a alma.



Toc toc toc. Alguém bate na porta da sua casa.

A sobrancelha ascende em direção à mente. Não se sabe quem está pedindo para entrar. Algumas visitas aparecem sem convite, inesperadamente e muitas vezes de forma surpreendente. E a gente abre a porta, mesmo que por curiosidade.

A pessoa entra, vai passando pelos cômodos, acomoda-se lá dentro e fica para o jantar. Encontra um aconchego no sofá da tua sala e sente o cheirinho do café fresco matutino.

De repente as paredes mudam de cor, os móveis mudam de lugar, os quadros trocam a feição.

Alguém ficou.

É preciso ter cuidado ao entrar na vida de outro alguém.

É preciso entrar devagarzinho, de pés descalços, na ponta dos pés sem fazer muito barulho.

É importante observar primeiro como os pratos eram guardados nas prateleiras e não mexer no que ainda não recebeu permissão. Ir com cautela e amor até pelos buracos que ficaram na parede do outro corpo. Entender que por ali outras vidas passaram. Algumas que tocaram apenas a superfície daquela pele, outras vidas que ultrapassaram a derme, outras que penetraram a alma.

Todos que passam, deixam marcas como tatuagem permanente.

Todas as visitas ficam para sempre, até mesmo aquelas que foram somente para buscar uma xícara de açúcar.

O significado de ter entrado lá, as vezes só será desvendado quando se bate a porta. Por este motivo, deixe que seus rastros fiquem e que fiquem as melhores e mais belas marcas do seu sapato pelo corredor de outra casa. Se você ainda for capaz de compreender o sentido de tudo aquilo enquanto ainda estão sentados na mesa da cozinha, você vai aproveitar com plenitude aquele encontro que bateu na sua porta e que você por alguma razão abriu.

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