• marluce lima

mensageiros do universo

dos antigos devaneios

Certa noite em um pub, saí da pista e fui para um break do lado de fora para pensar... Estava em uma semana de muita reflexão sobre o que eu queria ser quando crescesse, pois me dei conta que já havia crescido e ainda não tinha certeza sobre qual o rumo tomar. Há alguns meses me assumi como Escritora e Poeta, sem ao menos saber se possuo licença para me autointitular desta forma. Tenho a mania de pensar que precisamos de diploma ou qualquer papel assinado para que sejamos profissionais em algo - talvez eu tenha aprendido isso em algum lugar. E então, enquanto eu devaneava sobre a vida e soprava a fumaça do meu tabaco, eu tentei decidir sobre o convite que recebi da minha amiga para recitar alguma de minhas poesias num ambiente aromatizado de álcool: “pessoas querendo usar aquele espaço pra esvaziar o copo da mente e eu querendo fazê-los pensar. Será que tenho voz para isso, será que sou capaz de recitar em inglês, e blá blá blá?”... Um rapaz de terno e cabelo penteado interrompeu meus pensamentos para me pedir fogo, e por fim, conversamos até o nossos cigarros acabarem. Acho que ele ouviu o que eu pensava, elogiou meu inglês e tirou um livro do Walt Whitman de dentro do casaco, como se tirasse um coelho de uma cartola, e me deu. Fiquei olhando ele indo embora, me belisquei, queria ter certeza que aquela pessoa existia de verdade, ou se não era um mensageiro enviado pelo Universo.

Minha amiga Milena diria: “esse universo safadinho”, e eu concordo.

O universo envia mensagens subliminares a todo instante, às vezes deixa os recados sem fazer muito alarde, às vezes é barulhento, às vezes se parece mais com o som de um quarto silencioso que acolhe uma criança arteira.

E a partir do momento que estamos com os ouvidos atentos à voz desse mundo tagarela, nos tornamos passíveis de compreender muitas coisas que acontecem ao redor. Claro, nem tudo. Em certo ponto da vida percebi que não tem porque ir atrás de todas as respostas apesar de eu ser curiosa o bastante para continuar questionando. Eu sei que as respostas veem ao nosso encontro, numa noite qualquer, de forma inesperada.


Ainda não sei se deus tem barba longa e branca, se é homem ou mulher, se é manco ou é capaz de correr uma maratona marítima, se ele tem cheiro de chocolate, gosto de algodão doce ou se tem formato de arco-íris. Porém, sinto que existe uma força divina tão grande dentro de coisas tão pequeninas, assim como a pétala da flor que acaba de cair simultânea ao momento que o ponto deste parágrafo foi escrito... Que se eu parar para observar, me sentirei em plenitude: Saberei que alguém está cuidando de tudo, e eu só preciso vestir minha roupa mais confortável e aguardar.


Uma mágica acontece desde então. Vejo deus em forma de poesia.

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