• marluce lima

me toma temo tempo

dos antigos devaneios


O tempo que me toma

Vem e passa, medindo meus passos.

O tempo que me engole

Me mata a fome mas não me cura a inópia.

Me imploro,

que não se perca tempo.

E temo que já esteja o deixando escorrer entre os dedos.

Deixo as vezes que instantes me atropelem

Deixo que segundos passem,

Para que horas me deixem chegar.

Esse tempo que me cega as têmporas.

Que me afoga em mares

e em ondas atemporais.

Tento ir de encontro e me perco

E se me perco me perde as horas.

E a busca pelo que não existe

É a busca que me toma

e me embebeda.

E me curo da ressaca além das horas.

Mas outra vez, me sugo.

Me peço, por favor não passe.

Outro tempo, peço por favor vá.

Ele se perde em meio a meus próprios tempos verbais

E se encontra vez e outra nas entrelinhas das linhas que não escrevi.

Não sei quem comanda,

ou se é somente ele que (me) manda,

E eu me calo, obedeço.

Ou me rebelo de frente ao relógio estampado ao vento.

Esse tempo que me calça os passos.

Que me aprofunda os calos

Ultrapassados pelo sabor inerente que nos foi criado.

Esse tempo que me seca o suor

que pelos ventos me passam.

E não me voam.

E as vezes voam.

Vem e vai, e não me serve a mesa me mantendo na penúria.

Pelas horas que medem meus percalços.

Pelo tempo que me muda o dia

Pelo tempo que não chega a noite.

Porque o tempo não há.


Pelo tempo que não há de chover,

E quando chove, pelo tempo que há de secar.

Temo.

Tempo.

Me encontro em meus próprios descompassos

E sigo

Por caminhos que o tempo vai me levar não se sabe onde.


Pelo tempo que me toma

e ele sem eu saber, se transborda em mim...

e acaba, quando não se sabe quando chega ao fim



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