• marluce lima

ilhas que se separam


Há um estranho fenômeno na ilha. Parece que um vento forte atravessa paredes, entra por frestas abertas e muda os móveis de lugar - qualquer mudança é estranha aos velhos hábitos. Até que tudo vire costume e novamente obsoleto.

Alguns lutam contra o vento e outros se deixam levar pela fluidez.

Não há um diagnóstico exato. Talvez não se trate de uma doença. É apenas uma mudança

- e isso muda tudo.


Há uma transformação gradual para quem se muda. Cadeiras e talheres, pobres dos detalhes finais - dividem-se corpos e lábios.

Esse fenômeno não perdoa detalhes.

Penso se não é a água, o vento, a cor da cortina - ou qualquer sintoma que fazem amores dispersos.


Indivíduos passam por esta transformação em um novo mundo, e os casais que vieram junto morar na ilha, ou se fortalecem ou descobrem outros caminhos.

(o grande fenômeno seria se tudo permanecesse o mesmo - e isso sim seria a causa).




Julho de dois mil e dezenove





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