• marluce lima

Entre elas eu danço



Talvez o amor seja mais ou menos assim: busca-se algo entre o início e o fim. Busca-se diluir o amor. Diluir o amor em doses. Um remédio ou uma overdose. Uma recusa ou uma vacina. Nascença ou destruição. Amor é um eterno desencontro. Uma cápsula que estoura dentro do organismo e o coração bombeia um líquido, escorre uma gota complexa: sentir-se morto e vivo. Talvez o amor seja sobre desejos, seja apenas um estado, ou quem sabe, uma cidade. Talvez o amor seja sobre ir embora, sobre a sedução pelo que nos perturba. É, o amor é perturbador, e voltar por amor? Ahh...há ainda tantos mares!

Estamos aqui, vivendo numa constante dança, uma ânsia por desbravar marés e ares. Sem prazos, sem expectativa, e desejando levar o amor em doses. Levar o amor para a busca, para outros espaços, para dançar livremente entre outras estrelas. Onde o amor possa ser uma partícula em um brilho vasto, onde o amor possa ser magnético e que o amor seja a espera. Que o amor se compreenda por si só, e que o amor não exija explicações.


Já nos inundamos tanto. Sou apenas uma gota, apenas estrela, apenas circunstância, apenas um momento oscilado. Então talvez o amor exista apenas. Apenas para estarmos aqui, buscando razões para dizer que amamos e o porque.

(Já viu um amor surgir na curva de uma estrada e esses corpos irem se banhar no mesmo mar?)

Fica, para um café ou dois, prometo não estar olhando para a cor da tua pele, mas na forma como segura tua xícara, na forma como olha nos meus olhos e para meus lábios quando recito. Fica, para dizermos que somos tantas gotas, tantas águas, que somos tudo que o amor não explica.

- até mesmo essa dança.




Janeiro de dois mil e dezoito

0 views
  • Branca Ícone do Flickr
  • Ícone do Facebook Branco
  • Ícone do Twitter Branco
  • Ícone do Instagram Branco
  • Ícone do Youtube Branco

made with love & poetry