• marluce lima

efêmera guerra

|poema criado para o projeto "Brazil Clowning" em Dublin


Hoje sou eu.

sou eu que estou diante de olhos que antes eram meus.

por dias

por horas minhas

dispensadas à encontros com gente desconhecida

e que me parecem com alguém antes já visto?


O que são todos esses dentes que empurram

a permanência de uma vida tão efêmera?

o que são esses espaços distribuídos

entre tempos que soam esperança nas entrelinhas?


É por uma fração de segundo que uma guerra termina?


O porque dela ter começado,

como um espirro

que serve de aviso

e que também é efêmero?!


Eu sei…

o que os olhos vêem

o coração vê também

e avisa os músculos

avisa o sistema:

que o sangue emigra.

e que tem gente aqui me olhando enquanto calamos os olhos

tem gente aqui que desconheço

e que tanto me pareço

com todos esses –

que antes eu desconhecia.

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