• marluce lima

|de uma página do diário

Updated: Sep 13, 2019

Depois de tudo que te falei, acordei com uma secura na garganta. Talvez tenha sido a mudança de tempo ou quem sabe aquele líquido todo que bebi pela madrugada.

Os líquidos me desidratavam, quanto mais bebia mais as gotas se evaporavam por algum poro meu, pelo pescoço, pelas córneas.

Deslizei os dedos pelas minhas memórias, em busca de alguém que eu pudesse desabar minha tempestade (é sempre tão difícil escancarar minha insensatez).

Eu sei, insensato é trazer à tona meu dilúvio e solidificar meus dramas. No fundo, sei que carrego, no meu íntimo, as respostas, porém uma dúvida sempre sobrevoa tudo isso. Uma breve loucura de querer o certo e não saber do que isso se trata.

Talvez não se trate de certo e errado, apenas do que não se compreende.

Me compreende? Tudo bem. Apenas me olha. Fecha os olhos agora, como se suas memórias fossem capazes de nos trazer para perto.

Eu sei que em breve tudo isso passa e que se eu não tivesse falado tudo o que falei essa febre não teria tomado espaço, e nem mesmo a sua cura teria chegado à tempo de nos amarmos mais uma vez.

fevereiro de doiz mil e dezenove

#deumapaginadodiario

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