• marluce lima

cheiro de defunto

Updated: Jun 30, 2019

Poema publicado na Antologia: “trinta e dois quilos – [uma antologia brasil – irlanda] – Editora Urutau 2017

Qual será o cheiro da morte?

Por vezes me pego pensando como seria

ter-me como bálsamo

de defunto.

Minha pele fria de material quente em controverso

Será que dela eu voltaria?


Devo acalentar minha alma inquieta

até que eu termine todos aqueles intermináveis versos.


Algumas partículas minhas,

viajam por espaços inabitáveis.

tento correr do prefácio para a parte em que o livro mata as palavras.

Não saber de nada me enlouquece

E saber de tudo, eu me perderia.


Por vezes, meu sono me inebria

e desperto com uma luz na cara

que me levanta pro mundo inerte.

Sonho com uma linda utopia

qual ainda não pensei em como tornar realidade

e se até mesmo eu poderia.


E seu meu destino for morrer poeta?

Cair na sarjeta

em meio a versos inacabados e incompreensíveis.

Sem papel nem caneta

Nem minha bombinha de asma.


Talvez seja bom ser morte

daquelas que não são sentidas

daqueles tipos de vidas que não acontecem de fato.


Eu talvez não saiba viver ainda.

o que faz de mim fantasma deste lado

e poesia em outro espaço .


porque me quiseram aqui e não ao contrário?

Perco-me nas trilhas entre os cosmos.

Paro para observar as estrelas

Com a esperança de tocar o cume azulado.

Afasto meus pés do chão,

Atento-me ao vôo dos pássaros

e não posso acompanhá-los além

de meu olhar horizontal

cerrado.


E porque não nasci ave?

enquanto também sinto-me

em porto seguro quanto mais longe me arrebato.

e mais minúscula e desprotegida me sinto

ao fixar os pés no calço da atmosfera.


E se a morte me pegar desprevenida

E eu não tiver dito tudo o que me ronda a esfera?

Terei eu, vivido o destino

estipulado em meu mapa

ou terei eu, dado estrela pra corda

do meu relógio não biológico

que toca, toda manhã na espera

que eu acorde

enquanto me finjo de morta.


Será apenas um desencontro?

Uma curva atrapalhada

Um passo além do esperado

Um pé na dança errada

Um piscar de olho envesgado

Um segundo a menos

Uma demora não planejada

Uma chegada antecipada

Um cisco no olho

Um sopro na vela

A entrada de uma festa underground…

Em que terei ido sozinha

Sem ter deixado os farelos demarcados

Pro retorno pra casa.



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