• marluce lima

anfetamina

Poema publicado pela Editora Urutau – “Trinta e dois quilos [uma antologia Brasil-Irlanda]” – 2017




Meus nervos estiraram as estrias que percorrem

Os secretos mapas de meu corpo.

Dilatavam-se os sentimentos extravasando as emoções pelos poros.

Minhas energias vivas transparecendo minha áurea

E minha alma nua

Vestidas com as roupas da vida.

Sem vergonha de fechar os olhos e abri-los ali na pista de luzes piscantes.

Ninguém em volta,

Era eu e o universo,

Era eu e ele, só.

O escuro da noite ofuscava a cor castanha de meus olhos

E ora era cheia, ora minguante

Ora era sol.

O mundo passava por mim atravessando meu corpo

Uns deixavam algo, outros me roubavam pedaços.

Entre as entrelinhas das nuvens

empurradas pelo vento eu via…

Ou somente sentia

Ou não sentia nada.

Fechava os olhos e abria,

Com o universo minha iris consentia.

E diante daquela tela

Ora prisão, ora liberdade

Refletia aqueles olhos de fera.

A boca abre e mostra os dentes

As mãos se soltam e revelam as garras

Transluzindo a fome

De devorar o mundo e cuspir a carcaça.


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